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Reimaginando negócios com ESG - e foco no G

Para que os negócios possam, de fato, realizar operações mais sustentáveis e eficientes no futuro, o ESG passa a ser central - com destaque para a governança

Rafael Gonçalves

29 de Abril

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Artigo Reimaginando negócios com ESG - e foco no G

Não é incomum encontrar canteiros verdes ou praças, especialmente nas grandes metrópoles, que são “cuidadas” por empresas, ação vista como um tipo de devolução das corporações às comunidades em que estão inseridas. Exemplos assim são comuns próximos a supermercados e shoppings, assim como iniciativas em escolas municipais e estaduais, campanhas de agasalho ou as famosas cartinhas de Papai Noel no final do ano. São ações isoladas que representam pouco para os dois lados: empresa e sociedade.

Quando consideramos o que os negócios do futuro precisam fornecer não só aos clientes diretos, mas também à sociedade, o termo ESG é o que mais impera. Afinal, é por meio de uma sustentabilidade apoiada em riscos ambientais, sociais e de governança que empresas podem ir além (e muito mais fundo) em ações que gerem conscientização, impacto social e responsabilidade, seja sobre o meio ambiente, sobre pessoas, sobre dados, considerado o novo petróleo da atual (e próxima) geração.

E é aqui que a tal “governança” tem peso tão grande. A governança ajuda na ressignificação de todas essas ações, de forma que elas não sejam isoladas, esparsas e efetivamente agreguem valor ao negócio, entendendo “negócio” não como resultado financeiro da companhia, mas sua percepção de valor pela sociedade.

Maturidade em governança

Se por um lado ações sociais e ambientais ainda são muito desconectadas, a governança, em geral, é a mais madura de todos esses três pilares. “Entendo que os demais pilares devem nascer da esfera da governança. Eles não são coisas isoladas. A governança tem que ser a base, e os demais pilares têm início aí, baseados nas decisões dos executivos, do conselho de administração, todas as camadas que nós entendemos que formam a governança corporativa”, explica o vice-presidente de SAP S/4 Hana e head de Hana Enterprise Cloud na SAP América Latina e Caribe, Alexandre Pereira.

As práticas de governança corporativa dizem respeito à condução do negócio, com conceitos éticos relacionados aos direitos humanos, aos seus funcionários e relações de trabalho justas. Respeitar o meio ambiente é um fator relevante na longevidade, e ainda mais importante agora na reputação das empresas, o que acaba entrando na agenda de CEOs. Logo, companhias que pautam seus processos com boas práticas sociais, sustentáveis e de gestão têm menos chance, por exemplo, de esvaziar o caixa porque teve uma disputa legal, seja por queixa trabalhista, dano ambiental, fraude ou envolvimento com corrupção.

“A governança corporativa nas minhas interações sempre foi um aspecto fundamental desde muito tempo. Controles, mitigação e mapeamento de riscos, segregação de funções para que não tenha nenhum tipo de esforço desequilibrado. Isso é tecnologia que vai ajudar empresas”, explica o executivo, lembrando que o assunto de sustentabilidade exclusivamente ambiental começou a surgir fortemente ao final da primeira década dos anos 2000.

Para ele, no entanto, a governança não é mais apenas um tema corporativo: “muita gente entra no mercado, e o consumidor tomava uma decisão de compra que era preço e qualidade. Agora não é mais preço e qualidade. É preço, qualidade e ‘será que a marca está atrelada à minha filosofia de vida? Poxa, eu sou vegetariano. Será que essa marca está se preocupando com os aspectos de bem estar animal, por exemplo?’”. Quando isso acontece, há impacto direto na cadeia de valor - a decisão de compra, a receita da empresa, o resultado, o investidor e, finalmente, chegando à agenda do C-level.

Governança como base

Se toda empresa é, essencialmente, uma empresa de tecnologia e de pessoas, o dado é central, o que leva à essência da governança: dado é um ativo intangível. O que isso significa? Nossas informações enquanto consumidores são dados de comportamento. Logo, toda vez que aceitamos um cookie em um navegador, optamos por fazer parte de um newsletter ou receber oferta de viagens, estamos cedendo dados sobre quem somos - e este é o dado que as empresas buscam.

Por isso, o tema governança tem tomado mais força a partir de grandes marcos como o GDPR na Europa e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) aqui no Brasil. Por meio dela, descobrimos o quanto a falta de travas ou limites para obtenção e compartilhamento de dados podem causar danos. E quando elevamos essa discussão para a computação em nuvem, uma vez que usamos cada vez mais aplicações armazenadas na cloud, a governança de dados experimenta um crescimento exponencial em importância.

Seja ela voltada à proteção de dados sensíveis, de processos e/ou práticas, a governança é fundamental para compreender os passos que precisam ser dados pela companhia, não importa qual for a direção. Não é possível, portanto, desenvolver práticas sólidas e consistentes de políticas ambientais ou contrapartidas sociais se não houver um papel claro de responsabilidade nos processos, dada a abrangência quase universal do tema em todas as áreas de uma empresa.

Thomas Eckschmidt, co-fundador do movimento capitalismo consciente, aponta que o conceito ESG (ou GSA) atende a essa demanda sistêmica. É um programa de compliance que, sozinho, não funciona no longo prazo. “Com relação à governança, os investidores têm interesse nos métodos contábeis, na transparência, nas garantias de que as empresas evitam conflitos de interesse, contribuições políticas e outros temas de destinação de recursos.” Por isso é necessário ir além.

Um exemplo é a conexão entre diversidade e o pilar social. “Empresas com conselhos e líderes com um mix de gênero, etnias, experiências de carreira tem, como resultado, um mindset mais diverso e atento (às reais necessidades do mercado). Elas conseguem identificar melhor oportunidades que geram crescimento no longo prazo”, detalha Larry Fink, CEO da BlackRock em texto de Thalita Gelenske sobre o tema.

Liderança de olho no futuro

Com tantas incertezas, o líder, hoje, precisa dividir seu tempo para a entrega de resultados e para construir o negócio do futuro - que não é mais tão futuro assim. Pensar no mercado e nas próximas gerações, além de implementar tais mudanças, torna qualquer negócio mais sustentável.

Recentemente, a SAP lançou o Rise with SAP, um conceito de transformação de negócio como serviço, entregue via nuvem. É um serviço em que tecnologia e serviços embarcados permitem o acompanhamento da empresa desde o planejamento, a execução e ter as ferramentas necessárias para passar por este processo de transformação.

“Temos um cliente de meios de pagamento que é mais uma empresa de tecnologia do que um banco. E nós temos clientes de retail que hoje já são bancos também. Essas transformações precisam de uma plataforma robusta”, demonstra Alexandre Pereira. “Falando especificamente da pegada de carbono, a SAP tem uma iniciativa chamada Climate 21, em que nossos sistemas mapeiam e provêem essa transparência do equivalente ao ciclo do carbono de ponta a ponta. Qualquer indústria, qualquer empresa, como ela vai levantar as informações que precisa para entender onde está tendo a emissão do equivalente de CO²? E isso permeia a empresa inteira.”

Essa discussão não acaba por aqui. Quer conferir mais sobre o que esperar do futuro corporativo e de modelos de negócios bem-sucedidos nos próximos anos? Clique aqui e faça seu cadastro no evento Eixo exponencial – O Futuro no Agora: como a tecnologia em nuvem torna-se uma aliada nas práticas ESG de empresas inteligentes?, a ser transmitido em 6 de maio, às 17h30. A HSM Management é uma das parceiras do evento e estará presente nesta mesa redonda imperdível. Inscreva-se e não perca!

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Autoria

Rafael Gonçalves

Editor de conteúdo multimídia para HSM Management, radialista, jornalista e professor universitário, especialista em comunicação corporativa, mestre em comunicação e inovação e doutorando em processos comunicacionais. Desde 2008, atua em agências, consultorias de comunicação e gestão para grandes empresas e em multinacionais.

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