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Desenvolvimento pessoal

5 min de leitura

A coragem de ser autêntico

Ao compartilhar algumas reflexões da minha jornada de autoconhecimento e desenvolvimento, espero abrir espaço para iniciarmos um diálogo sobre coragem e autenticidade

Vivian Broge

06 de Agosto

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Artigo A coragem de ser autêntico

Recentemente tive oportunidade de conversar com duas pessoas diferentes, uma jornalista e um professor e executivo de inovação, sobre minha história e foi muito interessante ouvir de outros algo que no fundo eu sei, mas nem sempre comuniquei: que precisei de coragem em muitos momentos decisivos para me tornar quem estou sendo hoje. E digo quem estou sendo, porque tenho consciência que sou um “produto inacabado”.

Desde muito jovem, sempre fui uma pessoa questionadora, curiosa, profunda e muito disposta a mergulhar dentro de mim, de minhas luzes e sombras, para encontrar respostas para o que emergia em meu contexto de vida. Como diria Albert Camus “na profundidade do inverno, por fim aprendi que no meu interior havia um verão invencível”.

Liderança ágil e autoconhecimento

Recentemente, assisti uma palestra do Simon Hayward na qual ele mencionou que para ser liderança ágil é preciso atuar como um facilitador e “disruptor” ao mesmo tempo, e ainda, que precisamos abraçar novas formas de engajar pessoas, tais como:

  • Estarmos confortáveis com um ambiente desconfortável.

  • Fomentarmos a colaboração através de confiança, transparência e empatia.

  • Reconhecermos que o “contrato social” de trabalho mudou e valores como sustentabilidade, diversidade e inclusão são imperativos de nosso tempo.

Com o conceito de Ram Charam em mente – “a primeira liderança é a de si mesmo” –, refleti sobre a importância do autoconhecimento para a liderança nos dias de hoje e quero compartilhar alguns dos insights que tive.

Para estar confortável com o que emerge do contexto em constante transformação, entendo que preciso primeiro estar confortável com meus talentos e imperfeições, pois, “é preciso aprender a fracassar ou fracassaremos em nossa aprendizagem”, tal qual nos ensina Tal Bem-Sharar, professor de psicologia positiva da Universidade de Harvard. A partir desta reflexão, duas perguntas ficaram vivas em mim:

  • O quanto cada um de nós tem tido a coragem de reconhecer para si e para todas as pessoas os seus fracassos pessoais?

  • Como podemos demandar que as organizações sejam tolerantes com os erros como parte do processo de inovação se, nós mesmos não formos capazes de reconhecer nossos fracassos e erros?

Em minha carreira, errei diversas vezes, ora porque julguei antes de perguntar, ora porque realmente tomei uma decisão errada! Isso me faz um fracasso? Entendo que cada um destes erros me fez reconhecer que sou uma pessoa real, com dificuldades e problemas reais, mas sobretudo alguém em constante aprendizado. Hoje muitas vezes compartilho meus insucessos e erros em mentorias como parte de minha contribuição para futuras lideranças.

Faço muitas entrevistas com pessoas diversas todas as semanas e tenho notado que quando questiono sobre algum insucesso ou sobre o que está na fronteira do desenvolvimento da pessoa, as respostas muitas vezes ou me parecem fruto de reflexão muito rasa ou ainda “ensaiadas”, do tipo “sou muito perfeccionista”.

Autenticidade como prática diária

Brené Brown, em seu livro A arte da imperfeição, nos alerta para cultivarmos nossa autenticidade e abandonarmos a pessoa que pensamos que devemos ser e assumir quem somos. Ser autêntico, segundo a autora, é uma prática diária que exige coragem de ser imperfeito, estabelecer limites e permitir a vulnerabilidade.

E você, o quanto se permite ser autêntico e estar vulnerável?

Minha experiência de vida me mostrou que os momentos onde estive mais vulnerável foram momentos nos quais construí vínculos e confiança mútua com times, amigos e família. Quando reconhecemos nossos pontos fortes, fracos, sucessos e insucessos nos abrirmos para ver a beleza do imperfeito em nós mesmos e nas demais pessoas à nossa volta.

Para fomentar a confiança, transparência e empatia, que permitem a agilidade tão em voga nos dias de hoje, me parece muito importante também dizer a verdade. Sempre digo aos meus times que o diálogo é capaz de resolver qualquer situação e que, quando falarmos a verdade, que o façamos com amor.

Em um mundo que cultiva que os líderes sempre afirmem e se posicionem, a escuta muitas vezes fica em segundo plano – incluindo a escuta mais importante de todas: a escuta de si mesmo. Não me parece ser possível exercer a autenticidade sem escuta genuína e, sobretudo, sem perguntar mais que afirmar. Como diria Ruth Bebermeyer, palavras são janelas ou são paredes.

Colaboração e empatia assertiva

Kim Scott, em seu livro Empatia assertiva, explica que, para trabalhar a colaboração para atingir resultados, um caminho é falar para ouvir, esta técnica implica em dizer coisas para provocar uma reação nas pessoas – Steve Jobs a usava com maestria ao apresentar uma opinião polêmica a um grupo e pedir que as pessoas opinassem. Mas para que uma técnica como esta funcione em um time há um ingrediente que se faz essencial: confiança. Sem confiança as pessoas provavelmente não se sentirão acolhidas para contrapor.

As perguntas que estão vivas em mim neste ponto são: como estou fazendo para ouvir as pessoas? Tenho falado para ouvir? O que posso fazer mais e melhor para gerar segurança psicológica em meu time e em todas as minhas relações? O que eu faço que me impede de criar segurança psicológica?

E você, tem criado clima de colaboração em suas relações tanto pessoais como profissionais?

A coragem de ser você

E. E. Cummings escreveu: “Ser ninguém a não ser você mesmo em um mundo que faz o possível, noite e dia, para fazer de você qualquer um, menos você mesmo, significa travar uma das batalhas mais duras que qualquer ser humano já travou, e nunca parar de lutar”.

E nas palavras de Brené Brown – que são janelas para mim – “permanecer real é uma das batalhas mais corajosas que iremos lutar.”

Espero que este texto seja “janela” para você, leitor ou leitora. Por favor, comentem para que eu possa dialogar com vocês em outros dois textos que continuarão nossa conversa sobre autoconhecimento, autenticidade e coragem.

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Autoria

Vivian Broge

Comunicóloga, com MBA em desenvolvimento e gestão de pessoas e especialização em pensamento complexo. Atuou em diversas empresas, entre elas Natura, Danone e ISS. Desde 2018 está como diretora de recursos humanos da Iguatemi Empresa de Shopping Centers. Professora em programas de pós-graduação e MBA e mentora de mulheres no programa Mentoria Colaborativa – Nós por Elas do IVG. Coautora dos livros Solidariedade: Depoimentos de um beija-flor – Histórias de voluntariado e de esperança, e Coaching e Formação de Liderança/Coach, publicado pelo Arvoredo. Membro de conselhos consultivos da Turma do Jiló e da Specialisterne. Casada com o artista Mauro Piva e mãe do Arthur e Nina.

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