fb-embedWar games: identificando fraquezas de negócio perante os concorrentes HSM Management

Estratégia e execução

3 min de leitura

War games: identificando fraquezas de negócio perante os concorrentes

Empresas usam ferramentas, táticas e estratégias de jogos de guerra para observar e compreender o posicionamento de concorrentes, treinar executivos e lançar produtos

Colunista João Roncati

João Roncati

10 de Agosto

Compartilhar:
Artigo War games: identificando fraquezas de negócio perante os concorrentes

Em um cenário competitivo e complexo, executar ou formular um plano de negócio sem testá-lo contra as prováveis reações externas equivale a entrar em um campo de batalha sem as armas certas e sem estratégias para vencer.

Em situações em que o custo de estar errado é alto, os war games podem ser muito úteis para entender em perspectiva de 360 graus as oportunidades externas e os desafios da própria empresa.

Mas, afinal, o que é um war game?

Com os avanços na guerra armada que acompanharam a revolução industrial nos séculos 18 e 19, novas técnicas foram desenvolvidas para testar estratégias e táticas. Grandes saltos foram dados pelos militares nos séculos 19 e 20. A crescente complexidade e escala da guerra, junto com o rápido aprimoramento de tecnologias e equipamentos, forçou o ritmo das mudanças após a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.

A Guerra Fria, com seus exércitos estáticos, gerou novas abordagens matemáticas e da teoria dos jogos. Os jogos de guerra modernos usam técnicas e percepções refinadas ao longo de muitos anos e são uma parte essencial de qualquer operação militar.

Embora muito desse conhecimento ainda não tenha sido amplamente transferido para o setor privado, há uma crescente adoção de técnicas e analogias mobilizadoras. Por exemplo, algumas organizações têm usado elementos de jogos de guerra para desenvolver capacidades de gerenciamento de crises e outras utilizam essa abordagem como ferramentas educacionais ou como apoio ao teste de consistência de suas próprias estratégias.

Pensando e agindo como um concorrente

No war game, uma empresa coleciona informações sobre alguns de seus concorrentes (os mais ofensivos em dado contexto), a partir de fontes abertas e de domínio público, para consolidar e refletir sobre os possíveis movimentos estratégicos da concorrência num futuro próximo. A consolidação de um conjunto significativo de informações de diferentes origens já é, por si só, um bom exercício de business intelligence.

No exercício de um war game, a dinâmica força os participantes a agirem como seus concorrentes: tomando decisões, fazendo escolhas e apresentando suas estratégias a um conjunto de especialistas, que testa a robustez de suas suposições, a profundidade do trabalho realizado e as consequências das decisões.

Geralmente realizados com executivos seniores e profissionais com capacidade crítica no ambiente de negócios, os war games utilizam técnicas que dramatizam e analisam a concorrência. Isso beneficia as estratégias nos níveis de unidades de negócios, mercado, marcas, produtos e projetos, levando à revisão imediata de posicionamentos e ações.

Na avaliação das empresas que o vivenciam, os jogos de guerra têm sido aplicados com grande sucesso nas seguintes ações:

1. Lançamento de produtos;

2. Movimentos ofensivos e defensivos contra competidores específicos;

3. Revisão de estratégias corporativas;

4. Mudanças em variáveis de alto impacto;

5. Treinamentos de executivos;

6. Renascimento da marca e em situações de entrada no mercado.

Atento ao ambiente competitivo

O segredo de um jogo de guerra bem-sucedido não está simplesmente no confronto. Como disse o general chinês Sun Tzu, "para conhecer seu inimigo, você deve se tornar seu inimigo".

Em várias situações, por serem líderes de mercado ou de algum segmento, as empresas muitas vezes “se acomodam” ou menosprezam a capacidade de seus concorrentes, adotando até uma postura arrogante.

A realização de um war game pode revelar que as organizações concorrentes estão se mobilizando para ganhar mercado ou que possuem competências melhores que as nossas e que é possível, sim, observar e aprender, extraindo lições importantes.

Os war games são a base central sobre a qual novas estratégias competitivas podem ser formuladas, ensaiadas e testadas. As organizações que investem tempo e recursos para conduzi-los podem ter uma melhor compreensão de seu ambiente competitivo e da dinâmica que afeta esse ambiente, agindo de forma proativa.

Você já havia pensado nesse tipo de recurso para desenvolver o conhecimento sobre os competidores da sua empresa? Vale muito a pena.

Gosto do artigo do João Roncati? Saiba mais sobre estratégias e execução de planos de negócio assinando nossas newsletters e escutando nossos podcasts na sua plataforma de streaming favorita.

Compartilhar:

Autoria

Colunista João Roncati

João Roncati

É CEO da People+Strategy, consultoria de estratégia, planejamento e desenvolvimento humano.

Artigos relacionados

Imagem de capa Cinco megatendências para o futuro do trabalho

Gestão de pessoas

18 Janeiro | 2022

Cinco megatendências para o futuro do trabalho

Saiba o que em breve vai interferir no desenvolvimento dos profissionais – e como se preparar para elas

Paulo César Teixeira

4 min de leitura

Imagem de capa Quais experiências a sua marca promove?

Marketing e vendas

20 Dezembro | 2021

Quais experiências a sua marca promove?

Investir em experiências é uma forma de aproximar o público e valorizar o negócio

Gabriela Onofre

2 min de leitura

Imagem de capa Você ainda se refere ao seu RH como RH Estratégico?

Estratégia e execução

07 Dezembro | 2021

Você ainda se refere ao seu RH como RH Estratégico?

Te convido a se reconectar com a estratégia do negócio e a repensar o seu modelo de atuação

Michele Martins

4 min de leitura

Imagem de capa Dados e recrutamento: como construir um canal de aquisição de talentos?

Gestão de pessoas

26 Novembro | 2021

Dados e recrutamento: como construir um canal de aquisição de talentos?

Uma metodologia específica e um conjunto de ferramentas ajuda a selecionar e contratar profissionais de tecnologia, especialmente seniores

Augusto Frazão

3 min de leitura

Imagem de capa Seis pilares para desenvolver e gerir comunidades

Estratégia e execução

17 Novembro | 2021

Seis pilares para desenvolver e gerir comunidades

Em um país com potencial empreendedor reconhecido internacionalmente, as PMEs e a economia brasileira têm muito a se beneficiar de um ecossistema de comunidades auto-sustentáveis

Vitor Igdal

5 min de leitura

Imagem de capa Festival Teal Brasil mostra amadurecimento das organizações evolutivas no Brasil

Cultura organizacional

10 Novembro | 2021

Festival Teal Brasil mostra amadurecimento das organizações evolutivas no Brasil

Cinco anos depois do lançamento de Reinventando as Organizações, evento apresenta o panorama atual das organizações com práticas evolutivas no Brasil

Maria Clara Lopes

2 min de leitura