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Doar é transformar a nossa sociedade

Como num país em que a população se considera generosa e solidária existe tanta desigualdade e concentração de renda? É hora de assumirmos a responsabilidade sobre questões socioeconômicas, indo além do discurso trivial

Colunista Neivia Justa

Neivia Justa

09 de Abril

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Artigo Doar é transformar a nossa sociedade

Nós, brasileiros, nos consideramos muito generosos e solidários. Será? Em 2020, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros. Enquanto isso, nesse primeiro ano de pandemia, nossas startups captaram mais de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,1 bilhões). Além dessas cifras, a soma integral das fortunas apuradas de nossos 238 bilionários foi de aproximadamente R$ 1,2 trilhão.

De acordo com o “World Giving Index 2019”, o Brasil ocupa o 74° lugar, entre 140 países, no ranking de solidariedade, em média apurada ao longo de dez anos.

A partir dessa informação, não há dúvida de que somos ágeis e articulados na nossa capacidade de mobilização quando nos deparamos com situações de extremo desamparo, como fizemos no início da pandemia, em março de 2020.

Segundo a pesquisa “Impacto da Covid-19 nas OSCs Brasileiras: da Resposta Imediata à Resiliência”, 87% das organizações ofertaram atendimento e conectaram recursos emergenciais às populações vulneráveis mais afetadas pela Covid-19, em especial na distribuição de alimentos e produtos de higiene, assim como na conscientização sobre uso de equipamentos de proteção e segurança contra o coronavírus nas comunidades.

Como sociedade civil organizada, fomos capazes de arrecadar, no último ano, o montante de R$ 6,5 bilhões em doações, dos quais 74% foram direcionados à saúde, segundo o Monitor das Doações da Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR).

Mas doar dinheiro, tempo ou conhecimento ainda não faz parte da nossa cultura. Tanto é assim que as doações vêm caindo vertiginosamente à medida que a pandemia se prolonga.

Sociedade civil organizada e ativa

Como transformar esse nosso fogo de palha numa prática contínua? Em que momentos nos acostumamos a não enxergar a desigualdade, a fome e a miséria que nos cercam?

Você consegue lembrar da última vez em que se indignou com uma situação desumana que te tirou da sua costumeira letargia? Qual foi o gatilho, e o que você fez? Durante quanto tempo? Que impacto você gerou? Essa ação impactou sua vida, mudando seu comportamento, verdadeiramente? Ou você voltou ao seu velho “normal”?

Em que planeta você vive? Não dá para ver as pessoas morrendo de fome ou de covid-19 e não fazer nada. Claro que você não tem culpa dos seus privilégios, nenhum de nós tem. Mas alienação tem limite.

Precisamos agir, colocar a mão na consciência e no bolso. Doar tudo o que estiver ao nosso alcance – dinheiro, tempo, conhecimento, influência, capacidade de articulação. Nosso povo tem pressa. Como diz o Emicida, “é tudo pra ontem”.

Não existem salvadores da pátria, como sempre nos lembra a Luíza Helena Trajano. Somos nós, como sociedade civil organizada, que temos o poder de combater a desigualdade, a fome, a miséria e fazer valer os direitos humanos de todos os brasileiros.

ESG: INDO ALÉM DA SIGLA

Encerro lembrando que é nossa responsabilidade transformar o Brasil num país ético, socialmente justo e inclusivo, comprometido com a sustentabilidade do planeta. É hora de colocar em prática os lindos discursos e anúncios do nosso compromisso com o social dos critérios ESG.

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Colunista Neivia Justa

Neivia Justa

Neivia Justa

Fundadora da #JustaCausa, do programa #lídercomneivia e dos movimentos #ondeestãoasmulheres e #aquiestãoasmulheres

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