fb-embed

Vale oriental

2 min de leitura

O futuro das relações comerciais entre China e Ocidente

Fatores geopolíticos mexem nos cenários das relações comerciais, incluindo até mesmo uma dissociação radical em dois sistemas independentes

Colunista Edward Tse

Edward Tse

05 de Julho

Compartilhar:
Artigo O futuro das relações comerciais entre China e Ocidente

Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, junto com o mais recente surto de covid-19 em Xangai, muitas empresas de capital estrangeiro e local e investidores têm feito as mesmas perguntas: como as relações comerciais e os negócios entre China e Ocidente mudarão no futuro? E como essas mudanças afetarão ambos? Eis algumas possibilidades.

Passados 30 anos de globalização, China e Ocidente estão muito integrados em vários aspectos. Mas as relações de negócios entre eles sofreram mudanças fundamentais desde o início da disputa comercial entre Estados Unidos e China. Mesmo tão integrados, há quem defenda uma “dissociação”, a separação completa em dois sistemas, um liderado pelo Ocidente e outro pela China. Separação que abrange supply chains, tecnologias e telecomunicação. Até a internet seria separada em duas.

Entre os fatores negativos que podem levar à separação, a geopolítica desempenha um papel importante, e a razão é óbvia. A citada guerra alimentou as suspeitas do Ocidente quanto aos países não aliados, e as sanções impostas à Rússia impactaram a China.

Desde o início da pandemia, as supply chains globais, inclusive as centradas na China, foram severamente interrompidas, afetando o fornecimento de muitas matérias-primas e produtos. A geopolítica já provocou algum grau de dissociação em algumas indústrias, como a automotiva e a de chips semicondutores avançados.

Do lado positivo, a China é líder mundial em muitas indústrias, e várias empresas estrangeiras estão se saindo bem no país – algumas, muito bem. Temos aqui também o centro de várias supply chains globais, principalmente as que dependem de grandes clusters de fornecedores e da alocação eficiente de recursos humanos.

A China lidera a inovação em vários setores: economia digital, nova energia, inteligência artificial e 5G, que têm objetivos fortes e ecossistemas se integrando gradualmente. Há áreas em que o país deixa de seguir padrões e passa a criar os novos padrões. E cada vez mais multinacionais percebem que, ao estar aqui, podem aprender e absorver a essência dessas inovações

No nível macro, antes do impacto da geopolítica, a globalização e seus benefícios eram plenamente aceitos pela maioria das pessoas. Tendo a tecnologia como principal impulsionadora, elas querem um mundo mais conectado, com interações mais frequentes entre indivíduos, construindo uma “rede que fará bem à humanidade”. Com a situação atual, porém, tal visão pode não se concretizar no curto prazo.

Vejo a liderança chinesa comprometida com mais abertura e com reformas, na forma de novas políticas e medidas que garantam sua economia e ajudem a enfrentar os desafios atuais

Executivos e estrategistas devem ter prudência ao analisar o potencial positivo e os riscos em meio a tantas incertezas. Fazer avaliações racionais e objetivas sobre o futuro é a entrada mais básica para formular estratégias daqui para frente.

Compartilhar:

Colunista

Colunista Edward Tse

Edward Tse

Edward Tse

Edward Tse é fundador e CEO da Gao Feng Advisory Company, uma empresa de consultoria de estratégia e gestão com raízes na China.

Artigos relacionados