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Inovação

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Ativando a serendipidade no WebSummit

Em sua primeira edição fora da Europa, o WS aconteceu no Rio de Janeiro na primeira semana de maio. Devido aos números impressionantes de participação, de startups e de investidores, foi preciso ativar um plano B - lição do intraempreendedorismo - para viver a experiência

Colunista Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky

08 de Maio

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Artigo Ativando a serendipidade no WebSummit

Caso você não tenha sido impactado (acho difícil) pelas centenas (ou milhares) de posts no LinkedIn ou Instagram por alguém que esteve no WebSummit, vou dedicar a coluna desse mês para falar sobre minha experiência pessoal nesse evento de proporções, acredito, nunca vistas no Brasil.

O WS (como é apelidado o WebSummit) é um festival sobre tecnologia, criado em 2009 por Paddy Cosgrave, David Kelly e Daire Hickley, que teve sua 1ª edição nesse mesmo ano em Dublin e, em 2015, mudou-se para Lisboa, onde atraiu um público de mais de 70.000 pessoas em sua edição de 2022.

Entre os dias 1º e 4 de maio deste ano, o WS teve sua 1ª edição fora da Europa, ocupando quatro pavilhões no complexo de eventos do Riocentro, na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, com alguns números impressionantes:

  • 21.367 participantes, que esgotaram os ingressos, algumas semanas antes do evento, gerando um verdadeiro “mercado informal” de revenda e repasses de ingressos;
  • 506 investidores de todas as naturezas, incluindo Anjos, Venture Capital, Corporate Venture Capital, Corporate Venture Builders, Venture Builders, Aceleradoras, entre outros – para saber mais sobre as diferenças entre cada um deles, assista o último episódio do podcast O lado i, em que converso com Rômulo Perini, sócio fundador de uma corporate venture builder;
  • 743 pessoas credenciadas como mídia, tanto do Brasil e outros países;
  • e, acredite se quiser, 974 startups divididas em 2 categorias – alpha e beta (abaixo explicarei a diferença).

O evento teve sua abertura no dia 1º de maio, com a presença de quase 10.000 pessoas, que testaram a capacidade de organização e de um auditório principal, com capacidade máxima para 6.000 pessoas.

Resultado: filas quilométricas, muita, mas muita gente reclamando e portões fechados, deixando muitos de fora, sem poder assistir as primeiras palestras – vou falar mais sobre isso no final também.

Atuando há 4 anos no ecossistema startup, já me acostumei com o incerto e até mesmo com o improvável. Desenvolvi, nesse período, uma certa facilidade em sofrer menos com frustrações e imprevistos, afinal trabalhar numa startup é uma constante busca de conforto, num eterno desconforto.

A experiência inicial já me levou a repensar minha abordagem para o evento e ativei um plano B, que se transformou na forma como “consumi” o evento em seus três dias – serendipidade.

Se você não está familiarizado(a) com esse termo, explico: é o encontro fortuito ou ao acaso, sem planejamento prévio ou se preferir, o famoso “deixa rolar para ver no que vai dar”. Confesso, que, durante muitos anos, ir a um evento sem planejamento e agenda pré-definidos sobre palestras, reuniões e encontros a fazer seria impensável para mim.

Já havia vivido uma experiência parcial de serendipidade ou desse “deixa rolar” em outro evento – o South by Southwest, em Austin – mas nesse WS levei esse modelo ao pé da letra, vagando pelo evento, encontrando e conhecendo pessoas, que iam me levando a temas e outros encontros não planejados. E foi espetacular!

Mas, caso você prefira um modelo mais organizado de conteúdo, o WS oferece palestras e debates em vários palcos, em diversas durações – dos tradicionais 45 ou 60 minutos de painéis expositivos ou debates, até um palco, onde, acredite se quiser, as apresentações duravam quatro minutos – sim, você leu certo – quatro minutos.

O evento se apresentou, portanto, interessante para vários tipos de experiências. Aqueles que foram com o objetivo de se atualizar e consumir conteúdo foram bem atendidos. O tema do momento, que permeou a maioria dos painéis foi o crescimento e utilização da inteligência artificial, mas se alguém veio em busca de respostas definitivas, se frustrou e saiu com ainda mais perguntas, afinal estamos ainda distantes de um modelo que concilie tecnologia com regulação.

Para os que, como eu, vieram sem uma agenda definida, para conhecer e interagir com algumas das 974 startups, divididas em duas categorias – alpha que eram aquelas ainda em fase bootstrap, ou seja, em estágios iniciais, com bom potencial de crescimento, mas em busca de seu primeiro cheque de investimento, enquanto as denominadas beta, já mais tracionadas, estrutural e financeiramente, tinham como principal objetivo no evento interagir com atuais e potenciais clientes.

As 974 startups participantes, estavam espalhadas por dois pavilhões, com pequenos stands de pouco mais de 1 metro, que contavam apenas com um cartaz explicando sua natureza (HRTech, AgroTech, EduTech, FinTech, etc) e o produto/serviço oferecido.

A organização não permitia nenhuma ativação, que não fosse digital, ou seja, zero papel, logo, cada startup tinha sua camiseta – as mais criativas usavam QR Codes para provocar o público a testar suas soluções – notebooks ou monitores e sua equipe para explicar e encantar o público que visitava pelos stands.

E, a cada dia, havia um revezamento com 320 startups diferentes ocupando esses mesmos stands, ou seja, uma leva nova de startups a cada dia. Se alguém conseguiu visitar e conversar com 320 novos negócios por dia, merece entrar para o Guinness World Records. Visitar e conversar com startups era um evento em si.

Reparou como também era possível exercer a serendipidade sem assistir a nenhuma palestra ou conteúdo? Foi essa a minha escolha e conheci muitas, mas muitas startups e founders incríveis, só que isso será tema para um outro artigo. Nessa coluna quero exaltar a diferença entre visitar grandes empresas em stands bem-produzidos e ativados, com esses minúsculos stands, sem nenhuma produção, citando um desses encontros casuais que tive pelo evento.

Conheci a Andressa Tairine, caminhando pelo pavilhão três. Ela é a fundadora de uma EdTech de Salvador – startup da categoria alpha – chamada Sarsa Educacional, que tem como missão transformar vidas por meio da educação. O brilho e a energia com a qual ela conta seu percurso e o que tem pela frente é de uma inspiração que contagia. Algo que vi e presenciei na grande maioria das startups, especialmente, naquelas onde tive a oportunidade de conversar com algum(a) fundador(a).

Em contraponto, nos stands das empresas estabelecidas, a conversa era sempre mais formal e sem o mesmo entusiasmo. Se nas startups posso citar vários exemplos de conversas inspiradoras, sai pensando se as empresas estabelecidas levaram ao evento seus intraempreendedores, ou optaram por convidar os colaboradores por cargos e fazer uma gestão política de quem iria. Deixo a reflexão!

Para terminar, achei a parte da organização bastante crítica, especialmente som, alimentação e transporte. Diferente de qualquer outro evento que já fui, nesse, as startups participantes começaram a se juntar para montar grupos de discussão e resolução dos problemas encontrados, ou seja, a comunidade startup que participou identificou os desafios e, no lugar de ecoar as reclamações, está se autorregulando para propor e implementar soluções para a 2ª edição, já confirmada para 2024.

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Colunista Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky | Wacla

Alexandre Waclawovsky é fundador e CEO da senior 45!60, aceleradora de startups e atua no modelo de CMO ou partner as a service. Também é autor do livro Invente o seu lado I - A arte de inovar numa época de incertezas

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