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4 min de leitura

SXSW: vulnerabilidade, relacionamentos, tecnologia e qualidade de vida

Dilma Campos, CEO da Nossa Praia e B&P Partners, ao lado de Ligia Mello, trazem perspectivas enxergadas no SXSW que ressoam no público brasileiro. Desta vez trazem a visão dos brasileiros sobre os temas de Brené Brown (vulnerabilidade e da qualidade de vida).

Colunista Dilma Campos

Dilma Campos

14 de Março

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Artigo SXSW: vulnerabilidade, relacionamentos, tecnologia e qualidade de vida

Ela foi a responsável por trazer o conceito de vulnerabilidade para um outro patamar de discussão, quebrando paradigmas sobre o tema. Seu Ted Talk “The power of vulnerability" já foi visto por mais de 60 milhões de pessoas e é um dos cinco mais assistidos no mundo. E, quando Brené Brown se encontra com a psicoterapeuta Esther Perel, uma das porta-vozes mais conhecidas nos Estados Unidos que fala sobre relacionamentos na atualidade, o encontro é potente.

O bate-papo aconteceu no South by Southwest, e se tornou uma gravação ao vivo para o podcast “Unlocking Us” de Brené, ou seja, em breve você poderá escutá-lo na íntegra. Brené e Esther falaram sobre a importância dos relacionamentos reais para uma boa qualidade de vida e abordaram o impacto das tecnologias na sociedade atual. Quanto mais conectadas, mais distante de relações com significado as pessoas parecem estar.

Para Brené, a tecnologia também vem sendo uma barreira para a vulnerabilidade e a autenticidade nas relações humanas. Quando alguém verifica o celular a todo momento, ela não consegue se conectar verdadeiramente com o outro. Essa conectividade excessiva tem impacto inclusive na saúde mental das pessoas, revelando sentimentos como ansiedade e solidão.

Como venho fazendo aqui nos posts relativos ao SXSW, meu interesse maior é entender como todos esses assuntos importantíssimos ressoam nos brasileiros.

Com a parceria de Ligia Mello, sócia e CSO da Hibou, resolvemos repercutir o tema no Brasil.

Fizemos a pesquisa por painel digital e, para os insights desse artigo, foram ouvidos 1.834 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e gêneros, em uma pesquisa que tem 2,2% de margem de erro e 95% de intervalo de confiança, em 14 de março.

Como os brasileiros lidam com a crescente digitalização das interações sociais? A percepção dos brasileiros é de que há equilíbrio entre o presencial e o digital (imagem 1). No entanto, quando olhamos para um levantamento da Data.AI realizado em 2023, vemos que o Brasil é o segundo país em horas diárias de acesso online pelo celular, só perdendo para a Indonésia: o tempo médio chega a 5,3 horas por dia. E esse número vem crescendo a cada ano.

Será que essa percepção de controle da situação é de fato legítima? Ou o acesso excessivo à Internet está tão normalizado na sociedade que nem é percebido como um problema?

equilíbrio e presença digital

Quando levamos o tema do vínculo entre qualidade de vida e relacionamentos, apontada por Brené Brown, ele ressoa com a percepção dos brasileiros. Para os participantes do painel, a redução dos momentos sociais leva as pessoas a situações desconfortáveis ou sem controle (imagem 2). Apenas 9% relataram que a falta de interações humanas presenciais afete a saúde mental, mas a grande maioria aponta aumento de ansiedade, falta de atenção e foco, falta de empatia, depressão, entre outros.

Momentos sociais e desconforto

E, nos ambientes de trabalho, como a tecnologia está sendo vista? Desde a pandemia e a crescente digitalização do trabalho, com a abertura para modelos remotos e híbridos, esse é um tema que gera muitas discussões. Na pesquisa, o que vimos é que, de uma maneira geral, a tecnologia é vista como aliada, mas há alertas sobre impacto na afetividade e no controle.

Mais da metade dos participantes (54%) aponta que a tecnologia facilita a comunicação, mas também pode criar barreiras emocionais nas relações interpessoais. Outros relatam se sentirem presos à tecnologia, tendo que responder a tudo em qualquer horário (36%), o que pode causar extrema ansiedade e impacto na saúde mental.

tecnologia é vista como aliada, mas há alertas sobre impacto na afetividade e no controle

Para os que trabalham de forma híbrida, como equilibrar o uso da tecnologia com a busca por conexões humanas reais? Para 60% dos brasileiros, não é possível atingir esse equilíbrio. Eles alegam levar um dia de cada vez... Cerca de quatro em cada 10, no entanto, apontam tentativas de equilibrar essa rotina híbrida, como não usar o celular à noite, tentar ligar para as pessoas mais significativas e limitar as horas que passa em redes sociais e respondendo a mensagens (imagem 4).

equilibrar o uso da tecnologia com a busca por conexões humanas reais

Para finalizar, exploramos que aspectos fazem com que os brasileiros se sintam vulneráveis no ambiente de trabalho. Os Top 3 são: sobrecarga de responsabilidades e expectativas exageradas (77%), falta de apoio e reconhecimento da liderança ou colegas (71%) e situações de preconceito e assédio (65%). De forma geral, o sentimento de vulnerabilidade passa pelas relações no trabalho e pela pressão por resultados (imagem 5).

Imagem 5Vulnerabilidade e sentimento

Esses resultados trazem diversos insights que podem ser mais bem explorados pelas empresas e marcas. Será que algumas dessas dores, como o equilíbrio entre o digital e as relações reais, não podem ser objeto de campanhas de marketing regenerativo com a sociedade? Em relação à marca empregadora, também aparecem insights valiosos para ações e estratégias de equilíbrio de saúde mental e bem-estar nas organizações. Que essa contribuição possa ser o ponto de partida para ações que contribuam para a qualidade de vida dos brasileiros.

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Colunista Dilma Campos

Dilma Campos

CEO e Partner da Nossa Praia e Head de ESG da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, São Paulo Companhia de Dança e Solum Capital.

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