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Liderança

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Quando CEOs e RHs conversam

As conversas a seguir mostram que ceos e rhs estão alinhados às principais tendências da área e também quanto às expectativas mútuas

04 de Novembro

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Artigo Quando CEOs e RHs conversam

Imagine que você e os colegas são convocados de manhã pelo CEO da empresa para uma teleconferência ao meio-dia em ponto. Você ficaria tenso, certo? Acharia que há más notícias a caminho. Pois isso aconteceu realmente, no início da quarentena pandêmica em 2020, na companhia de nutrição animal DSM. Maurício Adade, CEO da organização para a América Latina, fez o “invite” para passar um recado direto e objetivo: “Vocês precisam almoçar com calma!” Ele percebeu que as pessoas estavam trabalhando excessivamente, sem saber quando parar, e as lembrou de que o almoço não serve só para a alimentação, mas também para o descanso, seja no trabalho presencial, seja no remoto.

Essa história é uma das muitas publicadas neste caderno especial, que nos leva para a sala onde os CEOs de dez empresas e seus principais executivos de RH geram insights. O objetivo é entender em que medida temos, entre as grandes companhias do Brasil, CEOs de pessoas, mais humanizados, e RHs de negócios, mais estratégicos – uma dupla considerada de alta performance. HSM Management organizou essas conversas em parceria com o G3, grupo de executivos de recursos humanos que cada vez mais opera como um think tank de gestão de pessoas.

A variedade de organizações nos permite mapear o que acontece no mercado. Representantes do setor manufatureiro são a DSM, de Adade e sua interlocutora Marcia Drysdale; a Bayer de Marc Reichardt e (a recém-aposentada) Elisabete Rello; e a Kerry, de Marcelo Marques e Tatiana Godói. As três, aliás, atuam também no ecossistema dos alimentos e do agronegócio, estratégico ao nosso País.

Duas companhas são fortes no varejo: a Nutrien Soluções Agrícolas, de André Dias e Clarissa Grunberg; e a Sephora, de Andrea Orcioli e de Silene Rodrigues, que liderava o RH ali até setembro, quando a conversa começou. O setor da construção civil está presente por meio da Construtora Passarelli, de Paulo Bittar e Lucia Menezes. A empresa de benefícios Ticket, de Felipe Gomes e José Ricardo Amaro, marca a participação do setor de meios de pagamento. O segmento de tecnologia está muito bem caracterizado pela IBM Brasil, cuja direção foi assumida pela primeira vez por uma mulher – e Katia Vaskys bate papo com Luciana Camargo, inclusive sobre sororidade. Os serviços de recursos humanos não poderiam ficar de fora – estão aqui representados pela Cia de Talentos e pela Soulan. Como é ser RH num negócio de RH? Seus CEOs são mais humanizados ou o espeto é de pau na casa dos ferreiros? Sofia Esteves e Adriana Chaves respondem pela Cia de Talentos; Marcelo Rocha de Souza e Taís Souza, pela Soulan.

As conversas combinam abrangência, profundidade e leveza, e os temas variam do engajamento dos funcionários à estratégia, passando por diversidade e inclusão, agenda ESG (de compromissos ambientais, sociais e de governança) e habilidades. Como todos os participantes têm longas biografias, optamos por destacar apenas curiosidades sobre eles nos quadrinhos do final dos textos.

Tendências: liderança ágil

Já é consenso que o RH precisa ir além do RH. Mas o que isso significa em termos práticos? Recentemente, o holandês Tom Haak, futurista especializado na área de recursos humanos, falou aos gestores brasileiros no evento Conexões LG, organizado pela LG Lugar de Gente, com o tema “Humanizar com tecnologia: uma nova perspectiva para gestão de pessoas”. E apresentou uma série de tendências que, de alguma forma, traduzem o que é “ir além” para os profissionais do departamento. Citamos algumas que combinam com as conversas a seguir.

As empresas procuram cada vez mais por líderes do RH que tenham um perfil que equilibre as capacidades de gerenciar a si próprios, suas equipes e as organizações, de acordo com Haak. “Trata-se de um líder que inspira e sabe ouvir, sendo estratégico, racional e operacional. E também se trata de um treinador ágil, focado e colaborativo”, para usar as palavras de Haak. Essa é uma das maiores tendências da área, mas muitas empresas têm dificuldade de encontrar tal perfil e vêm optando por formá-lo.

Liderar com responsabilidade social foi outro ponto enfatizado por Haak no Conexões LG. Ao longo dos últimos anos, e não só por causa da pandemia de covid-19, os funcionários e os candidatos a sê-lo passaram a esperar muitas coisas do local de trabalho. Uma demanda deles, por exemplo, é que os empregadores contribuam com a sociedade e o planeta.

Personalização é uma das palavras-chave quando se pensa no futuro (próximo) do RH. O departamento tem, cada vez mais, que levar em conta a personalidade do colaborador e seu contexto, tanto para desenhar seu espaço de trabalho, como para ajudá-lo a se desenvolver e adquirir novas habilidades e a fazer carreira. Isso, que só é possível com a ajuda de tecnologia e dados, é um dos impulsionadores de engajamento. Em gestão de pessoas. engajamento é pote de ouro no fim do arco-íris.

Resiliência e antifragilidade foram outras tendências apontadas por Haak e refletidas nos diálogos a seguir.

Expectativas: resiliência e saúde emocional

CEOs e executivos de RH dividiram pontos de vista e expectativas e, entre estas se destaca justamente a de mais resiliência. Afinal, sofrer pressão e conseguir voltar ao estado inicial (resiliência) ou sofrer pressão e ficar ainda melhor como pessoa e como profissional (antifragilidade) são capacidades essenciais em um cenário em que, citando Sofia Esteves, “o mundo nunca mais será estável como era antes”.

O alinhamento de expectativas nesse campo ficou claro – assim como o entendimento de que saúde mental/emocional é um componente dessas capacidades. No primeiro semestre deste ano, HSM Management organizou um evento dedicado ao assunto, em parceria com o Zenklub, plataforma especializada em serviços de saúde mental, e não poderíamos concordar mais. Não achamos ser possível acompanhar os depoimentos do evento “Vamos falar de saúde mental no trabalho?” e não colocar essa pauta no topo da agenda.

Para dar apenas um exemplo, a chairwoman da Cia de Talentos, Sofia Esteves, compartilhou na ocasião o relato do burnout que sofreu há quatro anos e os traumas que teve com isso. Aqui ela conta que vem aprendendo todos os dias a dizer “não”. Paulo Bittar, da Passarelli, conta sobre seus cinco pilares da saúde emocional. Marcelo de Rocha Souza, da Soulan, diz que desliga brincando com a filha bebê. São descritas as receitas pessoais e as organizacionais.

Boa leitura!

Produção e agradecimentos

Esse projeto é uma produção colaborativa desta HSM Management com o G3. Esse grupo de executivos de RH do Brasil, com 45 anos de existência, funciona cada vez mais como um think tank sobre gestão de recursos humanos, respondendo pela realização de pesquisas, cursos e debates. As duas instituições comungam de três propósitos: (1) debater práticas de gestão e antecipar tendências que levem à valorização do ser humano, ao desenvolvimento das empresas e à evolução da nossa sociedade; (2) incentivar estudos e pesquisas que nos permitam entender o presente e desenhar o futuro das nossas organizações; e (3) trabalhar para desenvolver o conhecimento de gestão de pessoas no Brasil e fazer com que os profissionais da área evoluam continuamente. Nossos agradecimentos especiais a LG Lugar de Gente e Zenklub. Este caderno não teria sido produzido sem o apoio dessas duas HR techs, que comungam dos mesmos propósitos.

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