fb-embed

Tecnologia e inovação

3 min de leitura

Precisamos falar de inteligência artificial na comunicação

As novas plataformas digitais para redação (ainda) não são capazes de pensar por conta própria. Por isso, não é e nem será possível que elas “acabem com os empregos”, apenas vão otimizar tempo, processos e ajudar com insights para a criação de conteúdos originais

Colunista Fabiana Ramos

Fabiana Ramos

18 de Maio

Compartilhar:
Artigo Precisamos falar de inteligência artificial na comunicação

O termo inteligência artificial (IA) não é novo. Aliás, já é sexagenário! Foi em 1956 que um grupo de cientistas criou um grupo de estudos no renomado Dartmouth College, nos Estados Unidos, para debater sobre a capacidade das máquinas de exercer tarefas humanas. Mas foi no fim de 2022, com o lançamento do rockstar ChatGPT, que o tema passou a ocupar grande espaço em quase todos os eventos de tecnologia do mundo.

Na primeira edição do Web Summit Rio, que aconteceu no início de maio, poucas eram as palestras e debates que não citavam a tal tecnologia. Em discussões sobre venture capital, falava-se sobre como empresas que buscam cheques se adaptarão à implementação de IA; em papos sobre o futuro das startups, falava-se sobre um provável boom de nascimento de empresas nos próximos meses, visto que a inteligência artificial está facilitando os processos de empreender.

Quando falamos sobre comunicação de empresas, o assunto fica ainda mais complexo, já que a tecnologia está remodelando a forma como marcas e clientes se comunicam. Hoje, já é possível ter conversas inteiras com ferramentas de IA, que entendem o contexto e interpretam o que o interlocutor precisa, fazendo com que um simples chatbot ou assistente virtual se torne ferramenta quase obsoleta. O cliente não quer só ser atendido de forma personalizada, ele precisa ser compreendido.

Para os processos de planejamento de comunicação de uma marca, ferramentas de IA estão se tornando peça-chave. Otimizar processos não é mais o que as marcas buscam com tecnologia para se tornarem competitivas, mas sim formas de potencializar a criatividade humana. Então não, o ChatGPT não vai “acabar com os empregos”, como ouvimos com tanta frequência quando a novidade foi lançada, mas já está transformando a forma como fazemos comunicação, marketing e até jornalismo.

As possibilidades com IA são infinitas. Geoffrey Hinton, conhecido como um dos “padrinhos da IA” e pioneiro no assunto, afirmou em entrevista à Reuters que a inteligência artificial pode representar uma ameaça “mais urgente” para a humanidade do que a mudança climática. Milhares de executivos assinaram em abril uma carta-aberta pedindo uma pausa de seis meses nos estudos e desenvolvimento de IAs poderosas, mas isso não parece parar esse mercado. Aliás, opções de IAs gratuitas já não são mais problema.

Para a criação de imagens, profissionais de design do mundo inteiro têm se valido de plataformas como Dall-E (dos mesmos criadores do ChatGPT) e da tão famosa Midjourney, que já até ganhou um concurso de arte e é responsável pelas fotos do Papa de jaqueta puffer, que viralizou nas redes há algumas semanas.

E a redação também não ficou de fora. Ferramentas como Copy.AI, Wordtune, Writesonic e o próprio ChatGPT já fazem parte do dia a dia de publicitários, marqueteiros e jornalistas. É importantíssimo ressaltar que essas plataformas não são capazes de pensar por conta própria (ainda!), então elas não vão produzir conteúdos realmente originais, apenas otimizar tempo, processos e dar insights para que as verdadeiras mentes criativas sejam capazes de produzir mais conteúdo com menos esforço e recursos.

Seja qual for o uso que você der a ela, o fato é que é preciso aprender sobre isso e se adaptar a essas tendências, que já são a diferença entre liderança de mercado e defasagem de marca.

Compartilhar:

Autoria

Colunista Fabiana Ramos

Fabiana Ramos

Fabiana Ramos é a CEO da PinePR, agência de relações públicas especializada em scale-ups e empresas de tecnologia e inovação. É pós-graduada em gestão comercial, com 18 anos de experiência em empresas multinacionais.

Artigos relacionados

Imagem de capa E a Justiça brasileira também se transformaAssinante

Tecnologia e inovação

29 Dezembro | 2023

E a Justiça brasileira também se transforma

Pode-se dizer que a transformação digital da administração pública é uma marca da metaeconomia. E, no ranking do Banco Mundial de governos mais digitais, o Brasil perde só para a Coreia do Sul, superando estrelas digitais como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Estônia, França, Índia e Rússia. Como? O poder judiciário é exemplo a observar.

Ademir Piccoli
Imagem de capa Inovar, em primeiro lugar, com as pessoasAssinante

Tecnologia e inovação

29 Dezembro | 2023

Inovar, em primeiro lugar, com as pessoas

Imagine qual seria a missão de empresa metalmecânica fundada por um torneiro mecânico em Aracruz (ES) em 1980. Você vai se surpreender com a Imetame: “contribuir para as pessoas realizarem sonhos”. Como mostra esta reportagem, os líderes da companhia capixaba se viram como “intensivos em capital humano” e decidiram se diferenciar inovando no tratamento com pessoas, dos colaboradores às da comunidade. Ao menos para organizações intensivas em capital humano, isso pode ser um booster e tanto.

Imagem de capa Já vivemos em uma metaeconomia; só falta entendê-la

Tecnologia e inovação

29 Dezembro | 2023

Já vivemos em uma metaeconomia; só falta entendê-la

Em 2022, o assunto foi metaverso. Em 2023, o assunto foi o fracasso do metaverso – ou, pelo menos, seu adiamento. Em 2024, é hora de olhar para o todo em vez de focar detalhes, e começar a enxergar o que o autor deste artigo, que se define como cypherpunk, chama de “metaeconomia”. O nome talvez seja provisório, mas trata-se de um novo ciclo econômico, construído em 25 anos de digitalização, interconexão e a convergência de forças específicas.

Courtnay Guimarães

14 min de leitura

Imagem de capa Inovações para um novo ciclo econômicoAssinante

Tecnologia e inovação

29 Dezembro | 2023

Inovações para um novo ciclo econômico

O novo ciclo econômico talvez fosse definido pelo poeta Vinícius de Moraes como “enjoadinho”. Ao menos, tem uma característica em comum com o Poema Enjoadinho do autor, que começa com “Filhos, filhos?/Melhor não tê-los/Mas se não os temos/Como sabê-los?” e termina com “Porém, que coisa/Que coisa louca/Que coisa linda/Que os filhos são!”. Esta reportagem ajuda a saber dos negócios (filhos) nascentes da metaeconomia.