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Gestão de pessoas

4 min de leitura

Por quê falamos de “ecossistemas” de inovação?

Veja a experiência de um hub de inovação paulistano, focalizado em desenvolvimento de pessoas, o Learning Village

Colunista Guilherme Lopes

Guilherme Lopes

06 de Março

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Por quê falamos de “ecossistemas” de inovação? A biologia sempre me traz muitos processos e analogias de como podemos criar organizações mais sustentáveis. Espero que aos poucos consiga compartilhar nessa coluna esses conceitos.

De uma forma especial, a ecologia, como Riklefis descreveu em seu livro, por vezes pode ser utilizada como uma analogia ao que a economia e o mercado adotam, principalmente por tentar seguir uma lógica de construção caótico-organizada semelhante. Por esse motivo, usam termos como comunidade e ecossistema, que vem dessa área de estudo.

A forma como os ecossistemas se estruturam na natureza, se torna então semelhante para ecossistema empreendedores. Neste texto, trago recifes de corais para que possamos compreender o quanto isso é importante na construção desta analogia para o nosso entendimento.

Diferentemente do que é acreditado, os corais, são animais que vivem em colônias e são simbióticos com algas marinhas. O coral serve de abrigo para a alga e alga traz alimentos para o coral. Por terem essa parceria, são capazes de sobreviver por si só e permanecem crescendo, construindo grandes estruturas chamadas recifes de coral.

Tal como os hubs de inovação abrigam comunidades, os recifes de corais acabam por ter este mesmo papel na natureza e as características surpreendentemente são semelhantes, começando pelo ponto de que os dois são estruturas físicas, sobre as quais espécies podem prosperar usando os recursos disponíveis, e se tornam recurso para que outras espécies prosperem criando um ciclo de evolução constante, que vai desde a questão física até a parte energética de manter a existência em circulação (seja biológica, seja dos sonhos e dos negócios).

Enquanto os recifes de corais são centros de biodiversidade marinha, os hubs de inovação são catalisadores de criatividade e progresso nas áreas da ciência, tecnologia e negócios. Vamos explorar como esses dois fenômenos aparentemente distintos podem oferecer insights valiosos sobre o poder e a dinâmica da inovação.

Diversidade e Interconexão Assim como os recifes de corais abrigam uma diversidade impressionante de vida marinha, os hubs de inovação precisam ser construídos tendo a diversidade como característica e objetivo para surjam de ideias, talentos e disciplinas que se somam e complementam.

Nos recifes, essa diversidade é fundamental para a resiliência do ecossistema, permitindo que diferentes espécies se adaptem a mudanças ecológicas e continuem seus processos em conjunto. Da mesma forma, nos hubs de inovação, a diversidade de perspectivas e habilidades, origem de recursos e tecnologias, promove a resolução criativa de problemas e a geração de novos negócios.

Além disso, tanto os recifes de corais quanto os hubs de inovação dependem da interconexão entre seus componentes para prosperar. Nos recifes, organismos diferentes interagem de maneiras complexas, formando relações simbióticas que impulsionam o ecossistema como um todo. Da mesma forma, nos hubs de inovação, a colaboração entre indivíduos, empresas e instituições cria um ambiente propício para a troca de conhecimento e o surgimento de sinergias inesperadas.

Isso não surge espontaneamente e nem acontece em pouco tempo: são relações construídas e validadas através do tempo, em que a experiência entre os seres construirá e sedimentará o valor mútuo entre eles. Nos recifes são comportamentos guiados pelo instinto, seleção natural e DNA. No nosso caso, temos os gestores de comunidade fazendo essa intercessão.

Resiliência e Adaptação Os recifes de corais enfrentam constantes desafios, desde mudanças climáticas até poluição e destruição causada pelo homem. No entanto, sua capacidade de se adaptar a esses desafios é notável.

Alguns corais, por exemplo, desenvolveram mecanismos de resistência ao branqueamento, enquanto outros se beneficiam de relações simbióticas com algas que lhes proporcionam nutrientes essenciais. Da mesma forma, aqueles que habitam os hubs de inovação precisam se adaptar a um ambiente em constante mudança que é nossa economia, onde novas tecnologias e paradigmas de negócios surgem constantemente. Aqueles que são capazes de se adaptar e evoluir, conectar e co-construir têm maior probabilidade de sobreviver e prosperar.

Inovação Iterativa

Tanto nos recifes de corais quanto nos hubs de inovação, a evolução ocorre por meio de um processo iterativo de tentativa e erro. Nos recifes, novas formas de vida surgem e se desenvolvem ao longo do tempo, enquanto as menos adaptadas desaparecem. Da mesma forma, nos hubs de inovação, novas parcerias, projetos e negócios são gerados, testadas e refinadas continuamente, com os fracassos sendo vistos como oportunidades de aprendizado. A capacidade de iterar rapidamente é fundamental para impulsionar a inovação e o crescimento contínuo.

Os recifes de corais e os hubs de inovação são exemplos poderosos de como a diversidade, a interconexão, a resiliência e a inovação iterativa podem impulsionar o crescimento e a adaptação em ambientes complexos. Ao reconhecer essas semelhanças, podemos aprender lições valiosas sobre como cultivar ecossistemas de inovação que sejam robustos, adaptáveis e capazes de gerar soluções criativas para os desafios do mundo moderno.

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Colunista Guilherme Lopes

Guilherme Lopes

Guilherme Lopes

Biólogo, empreendedor com experiência de 10 anos na área da educação e inovação. Especialista em Pedagogia da Cooperação e Metodologias colaborativas. Community Leader, no Learning Village, 1° HUB de inovação com foco em desenvolvimento de pessoas na América Latina. Facilitador de treinamento HSM e SingularityU Brazil . Fundador do Aprenda e Empreenda. Mentor de negócios sociais na Glocal Aceleradora.

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