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O agro brasileiro e as mudanças climáticas

As mudanças climáticas afetam diretamente a produtividade do agronegócio, e demandam ações assertivas para superar esse desafio sem deixar ninguém para trás

Colunista Ulisses Ferreira de Oliveira

Ulisses Ferreira de Oliveira

17 de Setembro

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Artigo O agro brasileiro e as mudanças climáticas

Em se plantando tudo dá.

Com essa frase como lema, o Brasil se transformou em uma potência agrícola e passou a alimentar o mundo, gerando desenvolvimento em todas as suas regiões, das mais secas às mais frias, das regiões úmidas às de clima ameno. O fato é que o Brasil tropical conseguiu, ao logo de sua história, estabelecer uma rara sinergia entre condições naturais favoráveis e o saber de seu povo. Com isso, pode, orgulhosamente, se proclamar a nação do agro.

Mesmo que na maioria de sua história poucos tenham sido os momentos em que se buscou pensar o futuro da nação, as coisas foram acontecendo: buscou-se conhecimento, criaram-se novos conceitos, inovou-se e avançou-se por essas terras tão extensas e ricas. Com muito esforço e o auxílio de mentes brilhantes, o agro brasileiro se consolidou.

Mesmo que, por muito tempo, a condição de acesso à terra tenha sido restrita a poucos, com o tempo o acesso a esse capital, tão necessário à produção, foi sendo democratizado. Ainda que não esteja disponível para muitos trabalhadores da terra, vimos surgir grandes, médias e pequenas propriedades rurais.

Porém, de todas as lutas que tornaram o setor competitivo e o principal motor de nossa economia, o agronegócio brasileiro tem agora, pela frente, talvez um dos seus momentos mais desafiadores: o impacto das mudanças climáticas na sua produção. Isso porque essas mudanças ameaçam a base daquela lema original. Em se plantando, dará?

Mesmo que você não acredite nas mudanças climáticas, no aquecimento global, no impacto do homem na natureza, há de concordar que, cada vez mais, os eventos climáticos extremos estão ameaçando uma das maiores vantagens competitivas do nosso setor. De um país tropical com clima extremamente favorável à produção rural, estamos nos tornando um país onde secas, geadas, chuvas torrenciais e granizo nos mostram que precisamos mais do que terra e trabalho para produzir.

Eventos não-climáticos também são fatores que preocupam, tais como as recorrentes queimadas, as catástrofes ambientais, desmatamentos. Ou seja, ações que colocam em risco nossos principais patrimônios: solo, água e florestas.

Neste novo cenário, é preciso haver uma ampla frente do setor agropecuário com um plano nacional amplamente discutido e divulgado, que nos prepare para continuarmos a ser o país da produção agropecuária, mesmo que as condições não sejam tão vantajosas quanto antes. Mais importante é que, neste plano, sejam discutidos os verdadeiros pontos que precisam ser transformados no agronegócio brasileiro para mitigar os efeitos dessas mudanças.

Este é um tema urgente, que deve ser discutido de forma unificada com o respeito pela diversidade de ideias e opiniões, considerando os diversos cenários que podem ser formados.

Com essa discussão conseguindo colocar todos os representantes do agro nacional à mesa, cabe aproveitar a oportunidade para tocar em um ponto fundamental: pensar em uma forma de superar esse desafio sem deixar ninguém para trás, com propostas que sejam capazes de incluir todos aqueles que trabalham e vivem da terra neste país, bem como nossa população, em uma política pública nacional para o setor.

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Autoria

Colunista Ulisses Ferreira de Oliveira

Ulisses Ferreira de Oliveira

Técnico Agrícola e administrador, especialista em cafeicultura sustentável, trabalhou na Prefeitura Municipal de Poços de Caldas (MG) e foi coordenador do Movimento Poços de Caldas Cidade de Comércio Justo e Solidário. Ulisses é consultor de associações e cooperativas e certificações agrícolas.

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