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Não seja nem um evangelista apaixonado, nem um “contador de feijão”; desenvolva uma estratégia eficaz para a nova tecnologia |Estudo BCG

Começou a se interessar pelo blockchain, a tecnologia que serve de base ao bitcoin e que promete promover a revolução dos contratos inteligentes? Então, você precisa desenvolver uma estratégia para incorporá-la e ir gerenciando sua implementação com um plano de ação, passo a passo.

Tal como acontece com qualquer tecnologia incipiente sujeita a efeitos de rede e retornos crescentes, o equilíbrio de negócios é radicalmente instável em relação a blockchains. Uma estratégia não pode ser baseada em uma “estimativa pontual” do que o futuro vai parecer, seja derivada de projeções financeiras ou de uma grande visão.

O Boston Consulting Group (BCG) propõe que a estratégia foque três aspectos:

1 – PRECISÃO DE INFORMAÇÕES.
Sua organização precisa conhecer seu ambiente intimamente: a tecnologia, movimentos competitivos, política de alianças, startups malucas e mudanças na política pública. Fique atento a descontinuações. Alguns protocolos abertos de blockchain podem eclipsar os esforços de um modelo fechado de um consórcio industrial.

Uma iniciativa patrocinada por um governo do outro lado do mundo pode catalisar um aplicativo matador. Um avanço na criptografia – ou descriptografia – pode transformar a segurança ou a escalabilidade. Um desenvolvimento em outra indústria pode arrasar o seu, da mesma forma como setores inteiros se tornaram meros aplicativos no computador ou na internet. Acuidade não deve ser delegada, porque o enquadramento correto das ameaças e prioridades ainda não é aparente. Os gestores seniores têm de fazer parte de um processo de aprendizado contínuo.

2 – OPÇÕES.
Na estratégia, como nas finanças, quanto maior a incerteza, maior o valor de ter opções. Opções são um investimento, exercidas ou não; é economia burra ficar parado até que o resultado seja evidente. Assim, correndo o risco de redundância, e mesmo de apoiar iniciativas contraditórias ou competitivas, invista amplamente.

No caso do blockchain, aposte em um portfólio de tecnologias alternativas. Junte-se a alianças e consórcios setoriais: a adesão dará a sua empresa uma participação precoce em tudo o que tiver êxito, a chance de aprender e a oportunidade de definir as prioridades do grupo desde os primeiros estágios.

3 – EXPERIMENTAÇÃO.
Aplique princípios “ágeis” ao desenvolvimento de aplicativos de  blockchain em pequena escala. Experimentos importam porque podem apontar para uma “estratégia” e também porque a própria prática constrói capacidade operacional e confiança.

David Clark, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), articulou o mantra da comunidade primordial da internet como “consenso bruto e código veloz”. Portanto, fique perto dos programadores, dos empresários e dos formuladores de políticas públicas. Mantenha suas opções abertas. Experimente.

Essas são as palavras de ordem para pensar fora da caixa sobre o blockchain. E são melhores guias para a estratégia do que o entusiasmo arejado dos evangelistas ou a miopia dos contadores de feijão.


Este texto foi publicado originalmente na revista HSM Management nº 121.