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A próxima onda de competição talvez seja baseada nas insatisfações das consumidoras, diz especialista Michael Silverstein, do Carlyle Group

Em 2018, a renda das mulheres que trabalham fora de casa equivalerá a US$ 18,5 trilhões anuais em todo o mundo, US$ 6 trilhões a mais do que hoje. Essa foi a estimativa que o especialista Michael Silverstein, líder da empresa de consultoria Carlyle Group e por 36 anos fellow do BCG, com base em pesquisas realizadas por ele desde 1986.

Na prática, o que significa tanto dinheiro? Se as mulheres consumidoras forem mais bem compreendidas pelas empresas, o potencial de negócios novos para estas é enorme. Mas pode significar também que, para compreendê-las, as companhias têm de se aproximar delas, incorporando mais mulheres nos altos escalões de gestão. A ruptura não seria a oportunidade perfeita para o meio corporativo se apropriar em definitivo do talento feminino?

Do que elas não gostam

Segundo Silverstein, as mulheres são consumidoras com graves insatisfações: de modo geral, querem mais dinheiro, tempo e amor (nesta ordem).

De modo específico, demandam melhor atendimento em categorias como saúde, serviços domésticos, vestuário, carros, seguros, cosméticos. Por exemplo, querem lingeries belas que também sejam confortáveis –em microfibra, não em renda–, conforme uma pesquisa feita para a Victoria’s Secret, e não desejam um automóvel mais seguro, e sim um do qual seja mais fácil sair em caso de urgência.

Mais especificamente ainda, incomodam-se com produtos malprojetados para elas, vendas e marketing malfeitos, soluções que não levam em conta a necessidade de poupar tempo (basta pensar no serviço de atendimento ao cliente das empresas), imitações ou inovações que não oferecem atrativos palpáveis (técnicos e funcionais, além de emocionais) e falta de senso de comunidade das empresas.

“É preciso estudar a economia feminina; talvez a próxima onda de competição seja baseada nas insatisfações das mulheres, como uma competição voltada para economizar o tempo delas”, afirmou o consultor e sócio do BCG. Para participar disso, Silverstein sugeriu começar com uma pesquisa de três horas para detectar insatisfações. “Dá tempo de ter um protótipo de novo produto no terceiro trimestre de 2014 para responder às insatisfações detectadas.”