Menu

A transparência não é um fim em si mesmo,  um elemento muito importante por sua capacidade de fortalecer a confiança dentro da empresa – algo crucial para quem quer praticar um capitalismo consciente


produto_4364_o_futuroBaseado em highlights do livro Capitalismo consciente: como libertar o espírito heroico dos negócios, de John Mackey e Raj Sisodia (p. 240-241).

Saiba mais sobre o livro em: https://goo.gl/2xUcSO


Para aumentar a confiança, temos de apostar na transparência. Não se trata de um fim em si mesmo, mas de um elemento muito importante por sua capacidade de fortalecer a confiança dentro da empresa. Quando mantemos algo escondido, quase sempre geramos falta de confiança, pois tememos que a informação cause mais mal do que bem caso seja revelada.

Embora uma parcela de discrição seja necessária para impedir que informações importantes cheguem aos competidores ou a outros que possam fazer uso inadequado, muitas vezes o segredo é levado longe demais. Uma organização de alta confiança está disposta a correr o risco de que alguns dados valiosos caiam em mãos indesejadas, apostando que os benefícios da transparência e da confiança são bem maiores.

A transparência existe de uma forma constante, e as culturas das empresas que não valorizam essa qualidade em geral envolvem uma boa dose de temor. Algumas adotam uma mentalidade de condescendência, com uma transparência limitada, e fornecem informações apenas de acordo com o que julgam necessário revelar.

Por sua vez, as empresas conscientes só retêm as informações que causariam danos caso se tornassem públicas. Uma organização não pode revelar tudo, mas as pessoas devem confiar nos motivos para a não divulgação do que for tratado como sigilo. A transparência completa não é necessária nem desejável, e pode até surtir resultados negativos caso revele informações pessoais sobre os integrantes das equipes. Cabe a cada organização determinar até onde vai a sua proposta de transparência.

Nós dizemos a verdade para as pessoas em quem confiamos. As culturas conscientes são marcadas pela ausência de artifícios e pelo compromisso verdadeiro com a autenticidade. O que os líderes dizem, o que os integrantes da equipe fazem e o que os clientes vivenciam são coisas que precisam estar alinhadas com a filosofia da empresa e com o propósito adotado. As comunicações internas e externas são honestas e diretas, sem o impulso de controle tão comum nos mundos corporativo e político. Os recursos publicitários tendem a ser factuais em vez de hiperbólicos (quando temos uma boa história para contar, não há necessidade de embelezá-la).

Empresas que dizem uma coisa mas se comportam de outra forma enviam uma mensagem de cinismo para todas as partes interessadas. As organizações podem ter bastante dificuldade para remover esse descrédito.

Um benefício da criação de uma cultura baseada na transparência é que a injustiça involuntária pode ser detectada e corrigida rapidamente. Isso é importante, porque a confiança costuma ser afetada com velocidade quando há uma percepção de injustiça. Os seres humanos têm forte necessidade de ser respeitados, ouvidos e tratados com justiça, e estudos revelam que a maioria das pessoas prefere processos de tomada de decisões transparentes e justos, ainda que à custa de um resultado individual desfavorável, do que um processo injusto que possa gerar resultados individuais positivos.

É essencial que a ética da justiça se aplique a todos os processos organizacionais essenciais [em uma cultura baseada na transparência], como o recrutamento e a seleção, a política de promoção, remuneração, disciplina e de afastamento. Tanto o favoritismo como o nepotismo minam a confiança organizacional e não devem ser tolerados. As pessoas são propensas a invejar, e a percepção de qualquer injustiça agrava essa tendência, fornecendo a energia para justificar o processo.