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Entenda como o bitcoin se tornou atraente para criminosos na Dark Web


produto_4533_future_crimesHighlights do livro Future crimes: tudo está conectado, todos somos vulneráveis e o que podemos fazer sobre isso, de Marc Goodman (p. 222-225).

Saiba mais sobre o livro em: https://goo.gl/vbUiFv


 

A tecnologia vem possibilitando novas formas de dinheiro, e a crescente economia digital é uma grande promessa para fornecer novas ferramentas financeiras, especialmente às pessoas pobres e sem conta bancária. Essas moedas virtuais emergentes são muitas vezes anônimas, e nenhuma recebeu tanta atenção da imprensa quanto o Bitcoin, uma forma de dinheiro digital descentralizada e peer-to-peer.

As moedas do bitcoin foram inventadas em 2009 por uma pessoa misteriosa (ou grupo de pessoas) usando o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. São criadas ou “minadas”, ao resolver equações matemáticas cada vez mais difíceis, exigindo um grande poder de computação.

O sistema é projetado para garantir que somente 21 milhões de bitcoins sejam gerados, evitando que uma autoridade central inunde o mercado com novos bitcoins. A maioria das pessoas compra bitcoins em mercados terceirizados com moedas tradicionais, como dólares ou euros, ou com cartões de crédito.

As pessoas podem enviar bitcoins umas às outras usando computadores ou apps de celulares, e as moedas, então, são armazenadas em “carteiras digitais”. Os bitcoins podem ser trocados diretamente entre os usuários em qualquer lugar do mundo, por meio de identificadores alfanuméricos exclusivos, semelhantes aos endereços de e-mail, e não há taxas de transação. Toda vez que ocorre uma compra, ela é registrada em um livro público conhecido como o “blockchain”, que garante que não haja transações duplicadas.

O Bitcoin é a maior moeda criptográfica do mundo, assim chamada porque usa “criptografia para controlar a criação e a transferência de dinheiro, em vez de depender de autoridades centrais”.

Como o Bitcoin pode ser gasto online, sem a necessidade de uma conta bancária e uma identificação para comprar e vender, ele fornece um sistema conveniente para transações anônimas, ou mais precisamente sob pseudônimo, em que o nome verdadeiro de um usuário está escondido.

Embora o Bitcoin, como todas as formas de dinheiro, possa ser usado tanto para fins legais quanto ilegais, suas técnicas de criptografia e relativo anonimato o tornam muito atraente para os criminosos. Como os fundos não são armazenados em um único centro, as contas não podem ser facilmente apreendidas ou congeladas pela polícia, e o rastreamento das transações registradas no blockchain é significativamente mais complexo do que apresentar uma intimação a uma agência bancária que opera dentro das redes financeiras tradicionalmente regulamentadas.

Como resultado, quase todo o comércio ilícito da darkweb é facilitado pelos sistemas de moedas alternativas. As pessoas não enviam cheques de papel ou usam cartões de crédito com seu nome verdadeiro para comprar metanfetamina e imagens de abuso sexual infantil. Em vez disso, usam as formas de dinheiro anônimas, digitais e virtuais como o bitcoin.

O darkcoin pode ser vista como o primo sombrio e ultrassecreto do Bitcoin, criado especificamente para ofuscar as compras de usuários por meio da combinação de uma única transação com as de outros usuários para que os pagamentos não sejam atrelados a um indivíduo específico. A popularidade do darkcoin está aumentando rapidamente, e seu valor passou de US$ 0,75 por moeda para quase US$ 7, logo após sua introdução.

Outra ferramenta, a darkwallet, criada por uma organização autodenominada unSYSTEM, tem como objetivo levar o Bitcoin de volta a suas raízes libertárias, permitindo transações “hiperanônimas”. Operando sob o lema “Haja escuridão”, a darkwallet “pretende ser o app de Bitcoin favorito do anarquista”, e seus criadores descrevem-na explicitamente como “software de lavagem de dinheiro”. Ao combinar e criptografar os pagamentos dos usuários, a darkwallet “permite fluxos de dinheiro praticamente indetectáveis” em todo o submundo digital. Armados com essas novas ferramentas financeiras, os criminosos estão preparados para ir às compras. E há muito o que comprar.