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Entenda como funciona essa plataforma descentralizada, expansível, governada e financiada por pessoas comuns


produto_4385_ataqueHighlights do livro Economia compartilhada: como as pessoas e as plataformas estão inventando a economia colaborativa e reinventando o capitalismo, de Robin Chase.

Saiba mais sobre o livro em: https://goo.gl/waz6gO

 


 

Imagine se as pessoas pudessem fazer o próprio dinheiro. Todo mundo já fez isso na infância – brincadeiras com dinheiro desenhado com canetinha ou com o dinheiro do Banco Imobiliário. Mas, de modo geral, o dinheiro é emitido por bancos centrais.

Já sabemos que a maior parte do dinheiro é eletrônico, então o que exatamente os bancos centrais fazem que é tão difícil? O mais difícil não é criar o dinheiro, mas convencer as pessoas a acreditar na moeda: acreditar que a moeda tem valor, que não vai desvalorizar com o tempo, que você pode trocar o seu trabalho pela moeda e usar o valor armazenado nela quando precisar.

De uma perspectiva histórica, sempre eram os governos que tinham a capacidade de fazer isso. E incrível pensar que alguns empreendedores e hackers anônimos descobriram um processo que leva as pessoas a acreditar em uma nova moeda. O experimento está sendo realizado neste exato momento e bilhões de dólares dessa nova moeda – atualmente a capitalização de mercado e de US$ 5 bilhões – já foram criados, comercializados, comprados e vendidos.

O Bitcoin é uma moeda criada pelo povo (engenheiros, para ser mais exata) para o povo. E, do mesmo modo como o software livre, o Bitcoin prova que plataformas importantes, valiosas e flexíveis podem ser financiadas, construídas e autogovernadas sem o envolvimento do setor privado nem a ajuda do governo. O Bitcoin nos dá um modelo de sucesso para vermos como as redes da Peers Inc pode ser completamente de propriedade dos peers colaboradores e governadas por eles. O experimento do Bitcoin provocou uma explosão de ideias, inovação, invenção e empolgação. As pessoas estão aplicando os princípios, o código e a experiência do Bitcoin a esferas que vão muito além da moeda.

Em 2008, Satoshi Nakamoto escreveu um artigo sobre uma moeda digital chamada Bitcoin. “Satoshi Nakamoto” é um pseudônimo e ninguém sabe se o nome se refere a uma única pessoa ou a um grupo de pessoas. Em 2009, o conceito foi lançado na forma de um software de código aberto. (Note que este é mais um exemplo no qual o conceito e o princípio organizador da plataforma simplesmente nasceram espontaneamente, o que não e uma estratégia replicável.)

Hoje, o software do Bitcoin existe como uma plataforma e um conjunto de protocolos orientando como criar, armazenar e usar os bitcoins.

Os bitcoins são enviados digitalmente de um usuário direto ao outro. Não é preciso abrir uma conta no banco. Não há expediente bancário. Não há um limite de saques no mesmo dia, nenhum depósito de US$ 10 mil que alerta as autoridades fiscais. As transações acontecem mais ou menos assim: o pagador X quer enviar Y bitcoins ao recebedor Z. Essa informação é transmitida a todos os participantes da rede Bitcoin. É cobrada uma minúscula taxa de transação do Bitcoin por esse serviço tão dinâmico.

Não existe uma localização centralizada ou autoridade de confiança que verifica ou valida o montante de dinheiro que você tem ou que conta o dinheiro enviado ou recebido. Então, como e que a coisa funciona?

Registros das transações são publicados por milhares de pessoas ao mesmo tempo em um livro contábil público. Muitas pessoas (qualquer pessoa com um computador sendo utilizado como um servidor pode participar) publicam simultaneamente, seis vezes por hora, todas as transações feitas nesse intervalo de tempo. Isso significa que o dinheiro não pode ser contado em duplicidade porque o livro contábil público só registra as transações feitas nesses últimos dez minutos com base na versão publicada anteriormente.

A corrupção é dificultada devido aos algoritmos criptográficos utilizados (levaria mais tempo do que a vida do universo para decifrar) e o roubo é muito difícil (apesar de depender da segurança do computador do proprietário dos bitcoins). A publicação do livro contábil público é chamada de “cadeia de blocos”, por ser uma cadeia de blocos de informações publicadas.

O registro público possibilita transações confiáveis entre desconhecidos. A aprovação e a verificação são realizadas por toda a comunidade e não por uma autoridade central.

As pessoas são incentivadas a publicar o livro contábil (a infraestrutura básica da plataforma) por um sistema de recompensas. Essas recompensas incentivam as pessoas a:

  1. colaborar na construção da infraestrutura;
  2. deter uma participação no sucesso futuro da plataforma;
  3. financiar o processo como um todo.

As pessoas são pagas em bitcoins por publicar o livro contábil e o processo de publicação e chamado de “mineração”. A mineração é uma complexa dança técnica entre os usuários do Bitcoin para verificar todas as transações.

A segurança do Bitcoin resulta desse trabalho computacional: a criação de uma corrente de blocos falsa com qualquer grau de complexidade exigiria milhares de vezes mais poder de computação do que o poder existente no mundo inteiro. Como essas “minas” estão espalhadas pelo planeta, mineradas por milhares de pessoas diferentes, todas contribuindo com seus recursos computacionais e mão de obra ao enorme empreendimento compartilhado, o Bitcoin também é flexível e redundante (uma característica de todas as organizações da Peers Inc). Esse sistema consegue incentivar as pessoas a cooperar em uma situação na qual, sem incentivos, elas normalmente não cooperariam.