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produto_4379_acelereHighlights do livro Não é como nem o que, mas quem, de Claudio Fernández-Aráoz. Saiba mais sobre o livro em: https://goo.gl/wibx7C


 

Qual é a diferença entre um colaborador de desempenho mediano e um colaborador altamente produtivo?

Na década de 1990, analisei as pesquisas sobre o tema e me surpreendi bastante com as constatações. Para pessoas que trabalhavam em empregos simples, como operar uma linha de montagem, um trabalhador “estrela” era cerca de 40% mais produtivo do que um trabalhador mediano. A distribuição era em formato de sino (o que os estatísticos chamariam de distribuição normal ou gaussiana), com um desvio padrão de cerca de 20%; a maioria das pessoas ficava perto da média e só algumas apresentavam um desempenho muito acima ou muito abaixo da média. No entanto, me surpreendi ao ver que a distância entre os melhores profissionais e o restante dos colaboradores crescia exponencialmente com o
aumento da complexidade do trabalho. Um dos melhores vendedores de seguro de vida, por exemplo, era 240% mais produtivo do que um vendedor mediano, enquanto os melhores programadores ou consultores apresentavam um desempenho 1.200% superior ao da maioria dos colegas.

Essas constatações, de mais ou menos duas décadas atrás, já tinham me convencido da enorme importância de saber selecionar e desenvolver as competências dos melhores talentos. No entanto, um dia desses me deparei com outro estudo que me deixou de queixo caído. The Best and the Rest: Revisiting the Norm of Normality of Individual Performance (em português, Os melhores e o resto: Revisitando a norma da normalidade do desempenho individual), de Ernest O’Boyle Jr., da Longwood University, e Herman Aguinis, da Indiana University, incluiu um volume impressionante de pesquisas abarcando uma ampla gama de profissões: cinco estudos separados, 198 amostras e 633.263 pessoas atuando em áreas que iam desde a pesquisa acadêmica até entretenimento, política e esportes. Em praticamente todas essas profissões os autores encontraram uma enorme diferença entre os melhores profissionais e os demais. Eles também descobriram que o desempenho normalmente não era distribuído na curva de distribuição normal, como os estudos com operários que eu tinha analisado, mas sim numa distribuição de cauda longa (que os estatísticos chamam de curva de Pareto ou lei de potência). É bem parecido com a venda de livros: milhões de títulos vendem alguns exemplares por ano, enquanto apenas um punhado vende milhões de exemplares.

A Figura a seguir mostra um contraste entre as duas distribuições.

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Michael Mankins, Alan Bird e James Root apresentam alguns excelentes e ilustrativos contrastes no artigo da Harvard Business Review, “Making Star Teams Out of Star Players” (em português, “Montando equipes estelares com players estelares”). Por exemplo, o melhor programador da Apple é nove vezes mais produtivo do que um programador mediano de outras empresas de tecnologia; o melhor carteador de vinte-e-um do Caesars Palace, em Las Vegas, mantém sua mesa jogando pelo menos cinco vezes mais tempo do que um carteador mediano de outros cassinos da cidade; o melhor vendedor da Nordstrom vende pelo menos oito vezes mais do que um vendedor mediano de outras lojas de departamento; e o melhor cirurgião de transplantes de órgãos de uma clínica médica de primeira categoria tem uma taxa de sucesso pelo menos seis vezes mais alta do que a de um cirurgião mediano de transplantes.

A questão é que, em qualquer profissão (mas especialmente nas mais complexas), a maioria das pessoas apresenta um nível relativamente baixo de desempenho, enquanto as estrelas são bastante raras, mas incrivelmente valiosas. Vivemos num mundo em que a diferença entre os melhores e o restante é enorme e vem crescendo rapidamente.
O autor Nassim Nicholas Taleb chama o fenômeno de “Extremistão”, e as implicações são claras.

Vale a pena ser seletivo. Ao se limitar a contratar sujeitos medianos, o tipo de candidato encontrado com mais frequência, você não tem como ter sucesso no ambiente de negócios de hoje. Como O’Boyle e Aguinis concluíram, “Numa época de hipercompetitividade, as organizações incapazes de reter seus melhores colaboradores terão dificuldade de sobreviver”5. No entanto, se dedicar o tempo e a energia necessários para encontrar, fazer evoluir a atuação e reter estrelas, você e sua empresa estarão muito à frente das demais.

Também vale a pena parar para pensar em como você mesmo se posiciona na curva. Gestores, empresas, colegas e desafios medianos fazem com que você também seja mediano. É muito melhor fazer de tudo para que as pessoas acima de você e ao seu lado possam ajudá-lo a se deslocar para a extremidade direita da cauda.