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Entenda as vantagens econômicas desse novo modelo de negócio sobre o tradicional – e transforme sua empresa antes que seja tarde | Por Marshall Van Alstyne

Na última década, gigantes tradicionais como Nokia e BlackBerry perderam 90% de seu valor, enquanto Apple e Google dominaram o mercado acionário. Por que isso aconteceu?

Muitas explicações são oferecidas, mas a diferença mesmo se deve ao fato de Apple e Google serem plataformas digitais. Ou seja, funcionam como entrepostos nos quais produtores e consumidores interagem criando valor para ambas as partes. Ou como plataformas de trem, onde acontecem as chegadas (simbolizando a oferta) e das partidas (a demanda) de pessoas. Só que são isso com o acréscimo da tecnologia digital, o que expande enormemente o alcance, a velocidade, a conveniência e a eficiência de seus negócios.

Estamos entrando no mundo das plataformas digitais, e nele mudam as regras da competição.  A internet não funciona mais apenas como canal de distribuição (pipeline); ela também é infraestrutura de criação e mecanismo de coordenação. É assim que as plataformas têm a capacidade de criar modelos de negócio inteiramente novos.  Além disso, com a conversão dos ambientes físico e digital, a internet amplia seus domínios. Passa a conectar e coordenar objetos no mundo real também. Em paralelo, os limites organizacionais são redefinidos à medida que as empresas-plataformas influenciam ecossistemas externos para criar valor de outras maneiras.

Nesse novo estágio de ruptura, as plataformas desfrutam de duas vantagens econômicas sobre as empresas tradicionais.

Maior economia marginal em termos de produção e distribuição. Quando cadeias hoteleiras como Hilton e Sheraton querem se expandir, constroem novos prédios de apartamentos e contratam centenas de funcionários, certo? Já o Airbnb cresce com custos marginais próximos de zero, já que o investimento para acrescentar mais um quarto à rede é ínfimo.

Essa economia capacita as plataformas a um crescimento muito rápido, difícil de bater, o que é incrementado ainda mais pelos efeitos de rede. Quando efeitos de rede positivos entram em ação, o aumento da produção leva à expansão do consumo – e o contrário também acontece. Exemplificando: um conjunto mais amplo de vendedores no e-commerce Etsy atrai mais compradores, os quais, por sua vez, atraem mais vendedores. Um ciclo de feedback positivo é acionado, estimulando o crescimento da plataforma – e a um custo mínimo.

Construção, por conta dos efeitos de rede, de ecossistemas eletrônicos abertos. Tais ecossistemas abarcam centenas, milhares ou milhões de participantes a distância. São maiores do que grande parte das organizações tradicionais e têm acesso a mais recursos do que uma empresa de pipeline convencional é capaz de administrar.

Em resultado, o valor criado em cada um desses ecossistemas pode ser muito maior do que o gerado em uma organização tradicional. Em outras palavras, as empresas que continuam a competir com base em recursos internos próprios enfrentam dificuldades crescentes diante das plataformas.

Tal fenômeno, por si, já implica uma ruptura significativa nos setores produtivos estabelecidos, o que é comprovado pelo fato de as organizações que operam segundo esse novo modelo de negócio já vêm tomando o lugar de companhias tradicionais na lista das 500 maiores da revista Fortune.

A era das “plataformas devorando pipelines” ainda revoluciona os setores de outras maneiras. Esse movimento tem se revelado decisivo na reconfiguração dos conhecidos processos comerciais de criação de valor, consumo de valor e controle de qualidade.

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Baseado nos highlights do livro
Plataforma: A Revolução da Estratégia.


SAIBA+ SOBRE O AUTOR:
Marshall Van Alstyne é professor da Boston University, pesquisador da MIT Initiative on the Digital Economy e coautor de Plataforma: A Revolução da Estratégia (ed. HSM). Virá ao Brasil para o HSM Summit – Leadership & Innovation, em 15 e 16 de maio.