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Quer ser um empreendedor ou investidor de sucesso? Você precisa entender a indústria do empreendedorismo e aprender a consumi-la

Este final de semana acontece a 7ª edição da Virada Empreendedora na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, que deve receber mais de 2.500 participantes. É um evento que vem se tornando parte extremamente relevante do ecossistema de empreendedorismo inovador brasileiro.

O Vale do Silício já provou que empreendedores não se fortalecem sem um ecossistema do empreendedorismo inovador e que este, por sua vez, não se sustenta só com empreendedores e investidores. Esses dois personagens precisam do apoio de uma “indústria do empreendedorismo”.

O Brasil ainda não é o Vale do Silício, mas em menos de dez anos montou uma indústria de empreendedorismo completa, composta pelos variados players que oferecem de capacitação e conexão com investidores (os famosos “pitches”), com desenvolvedores de tecnologia e com empreendedores mais experientes. Isso é cada vez mais importante no mundo, ante a ameaça de desemprego estrutural por conta dos avanços tecnológicos. E tende a ser ainda mais importante em nosso País, onde não há uma cultura de correr riscos e relativamente pouco conhecimento de negócios e gestão.

Estão em operação aqui players tão distintos como empresas estabelecidas do tipo Google ou Itaú –que têm hubs de coworking e palestras como o Google Campus e o Cubo, respectivamente –, escolas sem e com fim lucrativos – como Endeavor e meusucesso.com –, incubadoras e aceleradoras, consultores-gurus e competições com prêmios. E os eventos de aprendizado do tipo Virada Empreendedora costumam combinar e potencializar tudo isso.

PLAYER “EVENTO DE APRENDIZADO”

Um exemplo de player global desse tipo é a Entrepreneur Week (EW). Seus eventos de uma semana de duração rodam de cidade em cidade e circulam por várias regiões do planeta. O objetivo é gerar conexões em um espaço de aprendizado comum, no qual os empreendedores possam se sentir parte de uma comunidade. O lema –“Be driven”– fala da conveniência de se deixar impulsionar.

A EW foi fundada nos Estados Unidos pelo especialista em gestão, marketing e desenvolvimento de empreendimentos Gary Whitehill. Considerado um visionário no tema, ele participou em 2011, em Paris, do G-20Y Summit, encontro de jovens líderes de negócios que formula recomendações para os chefes de Estado dos países do G20 e organizações como o Banco Mundial e a Comissão Europeia.

Diante da certeza de que há uma mudança global que está fazendo com que os líderes políticos de todo o mundo se concentrem no empreendedorismo como instrumento para recuperar a estabilidade econômica e gerar crescimento e empregos, a EW equipa aspirantes a empreendedores com as habilidades, ferramentas, redes e recursos necessários para desenvolver um negócio de sucesso. A organização fomenta um ambiente que promove a inovação de acordo com os seguintes princípios:

•     Estimular a mentalidade empreendedora.

•    Ajudar a transformar ideias em negócios.

•     Apoiar os empreendedores com ferramentas
para a competitividade.

•     Melhorar suas habilidades.

•  Possibilitar um ecossistema competitivo de
alto desenvolvimento.

•   Guiar os empreendedores para que se tornem
proprietários de negócios de sucesso, inspirados,
confiantes e capazes de gerar redes sociais.

A Virada Empreendedora 2017 mostra como esse tipo de evento vem evoluindo no Brasil. A edição deste ano conta com nove arenas específicas http://viradaempreendedora.com.br/programacao/, que abordagem desde o empreendedorismo segmentado (para teens e para mulheres), até arenas de mentores e de investidores, passando pelos melhores cases, como o da MaxMilhas, empresas alcançou a marca anual de R$100 milhões em vendas de passagens aéreas somente em 2016 e apenas com recursos próprios, sendo um dos maiores cases de Bootstrapping (empreendimento sem investidor) do País.

PLAYER “INCUBADORA/ACELERADORA”

Incubadoras de startups e aceleradoras de negócios não são a mesma coisa. Elas agem em diferentes momentos do ciclo de vida de um empreendimento: as primeiras contribuem para a gestação; as segundas, para o desenvolvimento. “A incubação é um processo que transforma uma ideia de negócio em uma empresa, enquanto a aceleração é um processo oferecido a uma organização que já existe para que consolide e potencialize seu crescimento”, explica o mexicano Jorge León, diretor do Centro de Innovación Empresarial y Financiera (CIEF), do Instituto Tecnológico de Estudios Superiores de Monterrey (ITESM).

Empreendimentos importantes emergiram dos programas oferecidos por incubadoras e aceleradoras, hoje protagonistas tão indiscutíveis da cena do empreendedorismo que alguns as consideram alternativas válidas a um MBA.

Em outubro de 2012, a revista Inc. formalizou essa ideia ao publicar um artigo intitulado “Aceleradoras são as novas escolas de negócios”, no qual questiona a utilidade dos MBAs em momentos em que um número crescente de jovens empreendedores está tendo sucesso graças aos contatos proporcionados pelas aceleradoras.

Outro reconhecimento veio de Lora Kolodny, jornalista especializada em tecnologia e colaboradora do The Wall Street Journal, que teve experiências com várias incubadoras e aceleradoras. Ela afirma que os contatos ali desenvolvidos é que conduzem a potenciais clientes e investidores e ajudam a testar e comercializar produtos.

O efeito rede também se estende até a contratação de pessoas-chave, e não menos importante é o fato de que as aceleradoras e incubadoras guardam listas com os e-mails de seus “graduados” e estabelecem comunidades online duradouras baseadas nelas. O fundador da empresa de software Mixpanel, Suhail Doshi, atribui parte do sucesso de seu empreendimento aos contatos que fez por intermédio da YC. “A rede de relacionamentos formada ali é, possivelmente, o recurso mais valioso que a YC oferece aos empreendedores”, disse ele ao The Wall Street Journal.

No Brasil, a Advanced Composites Solutions (ACS), que desenvolveu o avião de dois lugares ACS-100 Sora, foi uma das empresas nascidas em incubadora – a Incubaero, de São José dos Campos. Sua inovação foi a da fuselagem: esta é montada em apenas dois blocos, com material constituído de tecido de fibra de vidro e recheio de espuma de PVC enrijecido com resinas, material mais resistente à fadiga e corrosão e mais leve do que o alumínio.

PLAYER “ESCOLA”

A meuSucesso.com, uma escola virtual de empreendedorismo com iniciativas presenciais: produz vídeos inspiracionais e educacionais, acessíveis apenas a assinantes, e também promove encontros da comunidade. A startup faturou seu primeiro milhão em menos de seis meses – são 30 mil alunos inscritos – e foi chamada pela revista Istoé Dinheiro, de o “Netflix do empreendedorismo”. A ideia de seu fundador, Flavio Augusto da Silva, é expandir o modelo de negócio para outros países nos próximos anos.

Sem fins lucrativos, a Endeavor atua no Brasil desde 2000, aonde chegou com a ajuda de Beto Sicupira, um dos sócio do Fundo 3G, controlador da AB Inbev e de outras grandes empresas. A entidade é conhecida por oferecer forte apoio para os empreendedores crescerem, seja por eventos como o DayOne, seja pela mentoria de empresários e executivos de ponta. Em geral, a Endeavor se dedica a apoiar empreendedores em estágio mais avançados – em vez de startups, scaleups –, mas ela vem abrindo o leque, segundo sua fundadora, a norte-americana Linda Rottenberg.

PLAYER “FOMENTADOR OFICIAL”

Entidade privada sem fins lucrativos criada em 1972 pelo governo federal para fomentar o empreendedorismo e desvinculada da administração pública em 1990, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) é um desses fomentadores no Brasil. Por algum tempo, foi associado a um empreendedorismo “de sobrevivência”, pouco inovador, mas, desde que foi aprovada a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, em 2006, essa percepção vem-se modificando.

O fomento ao empreendedorismo inovador tem importantes programas como o Sebraetec, para promover a melhoria contínua de processos e produtos e a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto, serviço ou processo, e o Agente Local de Inovação (ALI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo objetivo é mapear o nível de competitividade e inovação das empresas e prepará-las para tornarem-se mais competitivas, em que bolsistas do CNPq acompanham durante 24 meses a inovação tecnológica em médias e pequenas empresas, traçando um raio X de sua competitividade e formulando planos de ação para capacitá-las onde for necessário.

PLAYER “GURU”

Eles realmente podem ser considerados especialistas no assunto. Costumam ter experiência própria como empreendedores e investidores e dão um passo a mais ao pensar sobre o tema, como acadêmicos, escritores e palestrantes. O fato é que têm conselhos realmente valiosos para os empreendedores e formam um círculo virtuoso em torno de si.

Dois dos maiores deles mundialmente são Steve Case, fundador da AOL e Paul Graham, com sua aceleradora Y Combinator, mas outros bastante cultuados, e acompanhados de perto por HSM Management, são Peter Diamandis, que incuba negócios nos Singularity University Labs; Eric Ries, dono do conceito “lean startup”; Joi Ito, diretor do MIT Media Lab, criador de negócios inovadores por excelência; e o pioneiro deles, o escritor e consultor Guy Kawasaki, que foi “evangelista-chefe” da Apple nos primeiros anos da companhia. Todos são empreendedores e investidores além de gurus. No Brasil, quem trilha esse caminho é Silvio Meira, que além de empresas próprias criou o instituto de inovação CESAR e o cluster Porto Digital, em Recife, e Romero Rodrigues, fundador do Buscapé, entre outros.

PLAYER “COMPETIÇÃO COM PRÊMIO”

Hackatons promovidas por empresas entram nessa classificação tipicamente, mas estão longe de ser o único modelo. Auxiliar empreendedores também é uma das principais áreas de atuação da firma de consultoria global Ernst & Young, cujo compromisso com o empreendedorismo
–tanto em economias desenvolvidas como emergentes– baseia-se no reconhecimento pioneiro do trabalho de empreendedores bem-sucedidos e modelos a serem seguidos em seus setores, com o prêmio Ernst & Young para o “Empreendedor do Ano”.

O prêmio é oferecido anualmente, desde 1986, em vários países, incluindo o Brasil. Os ganhadores nacionais também competem entre si em Mônaco pelo título de “World Entrepreneur of The Year”. Entre os que receberam estão; Guy Laliberté, criador e diretor do Cirque du Soleil; e Narayana Murthy, fundador e presidente emérito da Infosys Technologies. Outro player de premiação fortíssimo é o XPrize, ligado ao “guru” Peter Diamandis, que o coloca como um dos ingredientes de uma organização de crescimento exponencial.